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Globoplay Novelas: por que o canal ainda não conquistou os noveleiros?

  • Foto do escritor: Natália  Rocha
    Natália Rocha
  • há 3 dias
  • 4 min de leitura

Após substituir o Canal Viva, o Globoplay Novelas enfrenta críticas nas redes por excesso de reprises e poucas novidades


Glória Pires e Kadu Moliterno, o casal protagonista da novela Anjo Mau (1997)
Foto: Divulgação/Rede Globo

Após 7 meses no ar, o Globoplay Novelas ainda encontra dificuldades para cair no gosto dos noveleiros. Criado a partir do encerramento do saudoso Canal Viva, o novo canal carrega uma herança importante, mas também enfrenta comparações muitas vezes inevitáveis com seu antecessor.


Antes mesmo do Viva sair do ar, duas novelas simbólicas marcaram a despedida: ‘Quatro Por Quatro’ (1994) e ‘Por Amor’ (1997). Curiosamente, esses mesmos títulos haviam sido as primeiras exibições do canal quando foi lançado em 2010. Para muitos fãs, a escolha aparentou ser uma homenagem aos 15 anos do Viva, encerrando um ciclo histórico na TV por assinatura.


Em junho de 2025, o processo de rebranding foi oficializado, e o Viva deu lugar ao Globoplay Novelas. A promessa era clara: criar um espaço totalmente dedicado às telenovelas com programação 24 horas, reunindo produções nacionais e internacionais, incluindo novelas turcas.


A proposta do canal: catálogo forte, expectativa confusa

Talvez na teoria, a ideia do Globoplay Novelas seja bastante atraente. O canal se propõe a valorizar o vasto acervo de novelas da Globo, além de funcionar como uma vitrine contínua do catálogo disponível aos assinantes do Globoplay.


No entanto, na prática, parte do público sente falta de algo importante para sua experiência e que o Viva cumpria bem: reprises inéditas ou pouco exibidas. Para os noveleiros, a programação inicial não trouxe nada de novo.


Atualmente, a única reprise considerada realmente inédita por parte do público é ‘Hiperensão’ (1986), de Ivani Ribeiro. Ainda assim, o canal também exibe: ‘Paraíso’ (2009) e ‘Salve Jorge’ (2012), ambas em sua primeira reprise desde a exibição original.


Mesmo com esses exemplos, a sensação geral é de que as novidades são tímidas diante do enorme acervo disponível.


Sempre as mesmas novelas? A crítica recorrente dos noveleiros


O caso de ‘O Rei do Gado’

Patrícia Pillar como Luana em O Rei do Gado (1997)
Foto: Foto: Marizilda Cruppe

Com o fim das reprises de ‘Quatro Por Quatro’ e ‘Por Amor’, os olhos do público voltaram-se para os próximos títulos. Na faixa “Batalha de Novelas”, a escolhida por votação popular foi ‘O Rei do Gado’ (1996), de Benedito Ruy Barbosa.


Apesar de ser um clássico, a novela acumula um histórico extenso de exibições: TV Globo em 1999, 2015 e 2022, Canal Viva em 2011 e no Globoplay Novelas será exibida a partir de 16 de fevereiro.


Com isso, a novela chega à sua quinta reprise, o que alimenta a sensação de cansaço entre os noveleiros. Ainda assim, vale destacar: a escolha foi do público, o que mostra como títulos consagrados continuam tendo um forte apelo emocional.


A surpresa (ou não) de ‘Anjo Mau’

Atores que fizeram parte do elenco de Anjo Mau (1997)
Foto: Jorge Baumann/Globo

Outra expectativa frustrada foi em relação à substituta de ‘Quatro Por Quatro’. Muitos apostavam na reprise de ‘Salsa e Merengue’ (1996), mas a escolhida foi ‘Anjo Mau’ (1997), com estreia também marcada para 16 de fevereiro.


A novela de Maria Adelaide Amaral é um caso curioso. Foi reprisada na TV Globo em 2003 e 2016, no Canal Viva em 2013 e agora no Globoplay Novelas será reexibida em 16 de fevereiro.


No total, são quatro reprises, o que pode gerar a percepção de repetição. Porém, diferente de ‘O Rei do Gado’, ‘Anjo Mau’ não passa a sensação de que ganha reprise sempre, o que relativiza a crítica. Com a faixa ‘Edição Especial’ na Globo às 14h45, ela tem sido um título cogitado como possível reprise, mas de fato não chegou a ser exibida nesta faixa.


Reprises inéditas funcionam na prática?

O desejo de ter novelas menos reprisadas é legítimo. No entanto, a experiência recente tem mostrado que isso nem sempre garante bons resultados. Um exemplo é ‘Rainha da Sucata’, atualmente no Vale a Pena Ver de Novo.


Apesar de ser um clássico e não ter tantas reprises quanto outros títulos, a novela não tem alcançado o mesmo desempenho das reprises anteriores da faixa. Isso levanta uma questão importante: o apego do público está mais ligado à memória afetiva do que à raridade da reprise.


Afinal, qual é o papel do Globoplay Novelas?

Se a proposta do Globoplay Novelas é ser um canal sem intervalos comerciais, focado em valorizar o catálogo do streaming, por que o público ainda tem tanta expectativa por reprises inéditas?


A resposta parece estar na comunicação e na herança deixada pelo Canal Viva.

Durante anos, o Viva se consolidou como um espaço de redescobertas, misturando clássicos com títulos pouco lembrados. Naturalmente, parte do público esperava que essa lógica fosse mantida.


No entanto, fica cada vez mais claro que as novidades reais estão concentradas no Projeto Resgate, exclusivo do Globoplay. Nele, mensalmente, novelas raras ou há muito tempo fora do ar são disponibilizadas.


O futuro do canal está entre o clássico e o previsível

A tendência é que o Globoplay Novelas continue apostando em: novelas clássicas, títulos que tiveram bom desempenho no Viva e eventuais surpresas, especialmente na faixa dos anos 1980.


Eventualmente, uma novela inesperada pode surgir, sendo novidade para alguns e repeteco para outros — algo inevitável quando se lida com um acervo tão extenso.


Com o passar do tempo, o canal se mostra cada vez mais próximo de um “Viva Fast” do que de uma reinvenção completa do saudoso Canal Viva.


Paciência é o caminho

Para os noveleiros mais exigentes, talvez reste aceitar que o Globoplay Novelas não é, necessariamente, o espaço das grandes novidades. Com tanta diversidade disponível no catálogo do Globoplay, sempre haverá algo inédito ou que realmente vale a pena ver de novo — ainda que não seja exatamente da forma como muitos esperavam.

© Copyright - Natália Rocha.

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